Análise Brasil x Panamá: como foi o ultimo jogo do Brasil antes de começar a Copa do Mundo
A análise Brasil x Panamá revela um jogo de duas caras. No último amistoso em casa antes da Copa do Mundo, a seleção venceu por 6 a 2 no Maracanã, mas o placar elástico esconde um primeiro tempo decepcionante dos titulares e uma segunda etapa em que os reservas resolveram tudo. O Brasil embarca para os Estados Unidos com confiança renovada e, ao mesmo tempo, com perguntas que Carlo Ancelotti ainda precisa responder.
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Mais de 72 mil pessoas lotaram o Maracanã para reencontrar a seleção depois de nove meses sem jogo em casa. A festa estava combinada. O futebol, nem tanto — pelo menos não nos primeiros 45 minutos.
Análise da seleção brasileira no primeiro tempo: muito menos fácil do que parecia
O gol de Vini Jr. com pouco mais de um minuto de bola rolando enganou meio mundo. Parecia que seria passeio. Não foi.
Depois daquele começo arrasador, o time titular simplesmente sumiu. O Panamá cresceu, empatou aos 13 minutos com um chute que ainda desviou na barreira, e passou a incomodar de verdade. Quem viu o jogo sentiu o desconforto: a seleção tinha dificuldade até para segurar a posse. Os panamenhos terminaram a etapa com mais bola nos pés, 52% a 48%.
O problema central estava no meio. Casemiro e Bruno Guimarães ficaram sobrecarregados na criação e deixaram espaços que o adversário aproveitou. Matheus Cunha, escalado para fechar o corredor sem a bola, acabou longe demais da área e quase não apareceu. Raphinha e Luiz Henrique também passaram em branco no quesito participação.
O que segurou o Brasil em vantagem no intervalo foi justamente a dupla que mais brilhou: Vini Jr. cruzou e Casemiro subiu para marcar de cabeça. Dois pés e uma cabeça resolveram o que o restante do time não conseguia construir.
A virada de chave: 10 trocas e reservas com fome
Ancelotti não esperou. Na volta do vestiário, mexeu em dez posições. Só Léo Pereira permaneceu, e ainda assim por falta de outra opção na zaga. Até o goleiro foi trocado.
E aí o jogo virou outro. Os suplentes entraram ligados, o Panamá não acompanhou o ritmo e o placar disparou. Foram quatro gols numa janela de 35 minutos. A diferença de energia entre quem começou e quem entrou foi gritante.
Alguns nomes pediram passagem para a Copa:
- Rayan repetiu a boa atuação pela direita, com personalidade rara para a idade. É o mais novo do grupo e já faz sombra em Luiz Henrique.
- Igor Thiago mostrou que tem mais no repertório do que força física: segurou a bola e pressionou a saída adversária.
- Lucas Paquetá trouxe a cadência e a criatividade que faltaram no primeiro tempo.
- Danilo Santos vive grande fase e deu dinamismo ao meio com suas chegadas.
Foi o suficiente para o técnico admitir, depois do apito, que ficou com a pulga atrás da orelha. Segundo Ancelotti, o segundo tempo abriu uma "dúvida positiva" sobre a melhor escalação para a estreia. A certeza, garantiu ele, é que o elenco é forte. O dilema é escolher.
Os pontos que ainda preocupam Ancelotti
A goleada não apaga um detalhe que deve mexer com a cabeça de um treinador italiano formado na escola da solidez defensiva: nos últimos oito jogos, o Brasil só não sofreu gol em duas ocasiões, contra Coreia do Sul e Senegal. Tomar dois do Panamá não ajudou a tranquilizar.
As voltas de Gabriel Magalhães e Marquinhos, desfalques nesta partida, devem reforçar a zaga. Mas o ajuste real começa mais à frente. Não seria surpresa ver Ancelotti abrindo mão de um atacante — possivelmente Luiz Henrique — para deixar o meio mais povoado.
Há outro ponto que o amistoso expôs com clareza: a seleção sofre quando precisa tomar a iniciativa contra adversários fechados. E é exatamente esse tipo de jogo que o Brasil vai encontrar na maioria das partidas da primeira fase. Reagir, o time sabe. Mandar no jogo, ainda custa.
Próximos passos rumo à Copa
Resta o amistoso contra o Egito para saber se os titulares acordam ou se os reservas vencem essa disputa interna. O Panamá era adversário modesto, é verdade, e isso pede cautela na hora de comemorar. Mas a profundidade do banco brasileiro ficou evidente, e ter boas opções para entrar durante o Mundial pode valer ouro.
O Brasil está no Grupo C da Copa do Mundo, junto de Marrocos, Haiti e Escócia. Avançam as duas melhores de cada chave, além dos oito melhores terceiros colocados no geral. A estreia será contra o Marrocos no dia 13 de junho, sábado, às 19h de Brasília, no MetLife Stadium, em East Rutherford.
Na sequência, a seleção pega o Haiti na sexta-feira 19, às 21h30, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. O encerramento da fase de grupos é contra a Escócia, no dia 24, quarta-feira, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami.
Faltam poucos dias para a estreia. Tempo curto para resolver tudo o que ficou em aberto num ciclo conturbado, mas talvez suficiente para montar uma seleção competitiva — desde que os recados do segundo tempo sejam ouvidos.
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