Jogadores Mineiros em Copas do Mundo: lista completa [1934-2026]

Minas Gerais já mandou pelo menos 47 jogadores pra defender o Brasil em Copas do Mundo. Não é um número qualquer. Estamos falando de representantes em 18 das 22 edições do torneio, desde a primeira participação, em 1934, até o Catar em 2022. De cidades pequenas do interior a capitais, de Pelé a Gilberto Silva, de Canalli a Danilo, o estado sempre esteve presente quando a seleção precisou.

Apenas três Copas não tiveram mineiros natos no elenco: 1930 (a estreia do Brasil no torneio, no Uruguai), 1994 (o tetracampeonato nos Estados Unidos) e 1998 (na França). Fora isso, Minas sempre deu sua contribuição. E agora, com a Copa 2026 se aproximando, a tradição continua: Ancelotti já confirmou que Danilo, nascido em Bicas, na Zona da Mata, estará entre os 26 convocados. Mais um mineiro em campo num Mundial.

O que vem a seguir é um levantamento completo desses jogadores, Copa por Copa, com cidade natal, posição e histórias que muita gente nem conhece. E também uma seção que os outros veículos costumam ignorar: os técnicos mineiros que comandaram a seleção nessas competições.

O primeiro mineiro em uma Copa do Mundo

Canalli foi o pioneiro. Meia nascido em Juiz de Fora no dia 31 de março de 1910, ele jogava pelo Botafogo do Rio e embarcou com a delegação brasileira rumo à Itália para a Copa de 1934. A viagem, aliás, foi de navio. Quinze dias no mar. E o detalhe curioso é que vários jogadores engordaram durante a travessia.

O Brasil disputou um único jogo naquela Copa. Perdeu de 3 a 1 para a Espanha, em Gênova, e foi eliminado. Canalli era titular naquela partida. Foi a primeira e última vez que um mineiro pisou em campo num Mundial naquele ano, mas o caminho estava aberto.

1938: cinco mineiros na Copa da França

Quatro anos depois, a presença mineira cresceu de forma considerável. A Copa de 1938, na França, teve a maior leva de jogadores de Minas até então. Pelo menos dois nomes estão confirmados por fontes independentes: Zezé Procópio, meio-campista de Varginha, e Hércules, atacante de Guaxupé. Ambos jogavam por clubes do Rio.

Zezé Procópio, aliás, entrou pra história de um jeito que ninguém quer: foi o primeiro jogador da seleção brasileira expulso numa Copa do Mundo. Aconteceu aos 14 minutos do jogo contra a Tchecoslováquia, na famosa "Batalha de Bordeaux", uma partida marcada pela violência. Mesmo com essa marca, Zezé disputou quatro dos cinco jogos do Brasil naquela competição.

Hércules, por sua vez, atuava pelo Fluminense e foi titular na estreia contra a Polônia, um jogo que terminou em 6 a 5 para o Brasil. Goleada dos dois lados.

Levantamentos da imprensa mineira, especialmente da Rádio Itatiaia, indicam que outros três jogadores daquela Copa podem ter nascido em Minas: Perácio (atribuído a Nova Lima), Nariz (Uberaba) e Negrinho (Belo Horizonte). Mas a naturalidade desses nomes não foi confirmada por fontes independentes, então ficam aqui registrados com essa ressalva.

O Brasil terminou aquela Copa em terceiro lugar, seu melhor resultado até então. Leônidas da Silva foi artilheiro com 7 gols.

1950: um mineiro no Maracanazo

Bigode, zagueiro nascido em Belo Horizonte, foi o único representante de Minas na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. E estava em campo no momento mais traumático da história do futebol brasileiro: a derrota na final para o Uruguai, no Maracanã, diante de quase 200 mil pessoas.

É difícil dimensionar o peso desse jogo. O Brasil precisava apenas de um empate, estava vencendo, e levou a virada. Bigode carregou essa marca pelo resto da vida, como todos que estiveram em campo naquele 16 de julho.

Outro detalhe importante: o técnico daquela seleção, Flávio Costa, também era mineiro. Mas essa parte a gente aprofunda mais adiante.

Pelé nasceu em Minas Gerais

Sim. O maior jogador de todos os tempos era mineiro.

Pelé nasceu em Três Corações, no Sul de Minas, no dia 23 de outubro de 1940. Cresceu em Bauru, no interior de São Paulo, fez carreira inteira no Santos, virou o Rei do Futebol. Mas o registro de nascimento não mente: Edson Arantes do Nascimento veio ao mundo em solo mineiro. É uma resposta que surpreende muita gente quando aparece em rodas de conversa.

Pelé disputou quatro Copas do Mundo pelo Brasil: 1958, 1962, 1966 e 1970. Foi campeão em três delas. Na primeira, em 1958, tinha apenas 17 anos, o que fez dele o mais jovem campeão mundial da história. Até hoje ninguém superou esse recorde. E o mais impressionante: ele é o único jogador a conquistar três títulos mundiais como atleta.

Três Corações pode se orgulhar pra sempre desse filho.

O tricampeonato de 1970 e a força de Minas

A Copa de 1970 no México é considerada a vitrine da melhor seleção brasileira de todos os tempos. E Minas Gerais teve participação direta naquele elenco mágico. Três jogadores nascidos no estado foram convocados: Pelé (Três Corações), Tostão (Belo Horizonte) e Wilson Piazza (Ribeirão das Neves).

Tostão jogava pelo Cruzeiro e era peça fundamental no ataque. Piazza também era do Cruzeiro, zagueiro confiável que dava segurança na defesa. E Pelé, bom, era Pelé.

Mas a presença mineira ia além dos nascidos no estado. Pelo critério de clubes, outros jogadores daquela seleção vinham de times de Minas: Fontana (zagueiro do Cruzeiro) e Dadá Maravilha (atacante do Atlético). Nenhum dos dois nasceu em Minas Gerais, mas representavam clubes mineiros. No total, a Copa de 1970 foi a edição com maior presença de Atlético e Cruzeiro na seleção: quatro jogadores vindos diretamente desses clubes.

O Cruzeiro, aliás, vivia um momento de potência nacional. Tinha sido campeão da Taça Brasil em 1966 e era um dos maiores celeiros do futebol brasileiro naquele período.

1978 e 1982: recorde de mineiros e a era Telê Santana

O final dos anos 70 e o início dos 80 marcaram o auge da representação mineira em Copas do Mundo. Em 1978, na Argentina, cinco jogadores nascidos em Minas foram convocados: Rodrigues Neto (Central de Minas), Oscar (Monte Sião), Toninho Cerezo (Belo Horizonte), Reinaldo (Ponte Nova) e Gil (Belo Horizonte).

Quatro anos depois, na Espanha, o número se manteve: novamente cinco mineiros. Oscar, Toninho Cerezo, Luizinho (Nova Lima), Paulo Isidoro (Matozinhos) e Éder (Vespasiano). Esse recorde de cinco convocados por Copa só tinha sido alcançado antes em 1938.

Oscar, o zagueiro de Monte Sião, merece destaque pela longevidade: esteve em três Copas consecutivas (1978, 1982 e 1986). E quem comandava o Brasil em 1982 e 1986 era Telê Santana, nascido em Itabirito, Minas Gerais. Mineiro dirigindo mineiros na seleção.

A seleção de 1982, mesmo sem ter conquistado o título, é lembrada até hoje como uma das mais bonitas que o Brasil já colocou em campo. Toninho Cerezo e Paulo Isidoro eram donos do meio-campo, Éder fazia gols absurdos de fora da área. Era um time que jogava bonito de verdade. Mas caiu nas quartas de final para a Itália de Paolo Rossi, naquela fatídica derrota de 3 a 2 no Sarriá.

1986: de Ipatinga para a Copa do Mundo no México

Na Copa de 1986, Oscar voltou a ser convocado. Alemão (Lavras) e Elzo, volante que jogava pelo Atlético e nasceu no interior de Minas, também estiveram no grupo. Mas a história mais marcante dessa edição, especialmente pra quem é do Vale do Aço, tem nome e sobrenome: Edivaldo.

É preciso ser transparente aqui. Edivaldo nasceu em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Mas foi criado em Ipatinga, no bairro Imbaúbas, e começou no futebol aos 8 anos na USIPA (Associação Esportiva e Recreativa Usipa). O Vale do Aço o formou como jogador. Quando morreu, em janeiro de 1993, num acidente de carro na Rodovia Castelo Branco, foi sepultado no Cemitério Senhora da Paz, em Ipatinga. Vários jogadores interromperam férias pra ir ao funeral. A cidade sempre o considerou seu, e com razão.

A trajetória dele foi improvável. Aos 11 anos, o Cruzeiro o dispensou por considerá-lo "raquítico". Foi pro Atlético, onde ficou nas categorias de base atrás de Éder Aleixo. Emprestado ao Taquaritinga, no interior de São Paulo, fez 9 gols no Paulistão de 1983 e começou a chamar atenção. Voltou ao Atlético, conquistou dois títulos mineiros seguidos (1985 e 1986) e recebeu a convocação de Telê Santana para a Copa. Na apresentação à seleção, soltou a frase: "Na seleção, seremos eu e mais dez."

Edivaldo acabou sendo um dos seis jogadores que não entraram em campo naquela Copa. Ficou conhecido como "Papagaio" e "Pepe Legal". Depois teve carreira em São Paulo, Palmeiras e até no Gamba Osaka, do Japão. Morreu jovem, aos 30 anos.

O sumiço nos anos 90 e o retorno no pentacampeonato

Na Copa de 1990, na Itália, apenas Alemão, o volante de Lavras, representou Minas Gerais no elenco. O técnico daquela seleção era Sebastião Lazzaroni, também mineiro. Mas o desempenho foi decepcionante e o Brasil caiu nas oitavas de final.

Depois vieram 1994 e 1998. Nenhum jogador nascido em Minas Gerais foi convocado em nenhuma das duas edições. Zero. É um dado que chama atenção, porque só aconteceu em três Copas na história: 1930, 1994 e 1998. Taffarel atuava pelo Atlético em 1998 e Ronaldo Fenômeno jogou pelo Cruzeiro antes da Copa de 1994, mas nenhum dos dois nasceu em Minas. Um era gaúcho, o outro carioca.

O jejum acabou em 2002, no pentacampeonato. Dois mineiros foram titulares na campanha vitoriosa do Japão e da Coreia do Sul: Roque Júnior, zagueiro de Santa Rita do Sapucaí, e Gilberto Silva, volante de Lagoa da Prata que jogava pelo Atlético. Gilberto Silva, em particular, foi peça-chave no equilíbrio da equipe de Felipão. Ambos foram titulares e levantaram a taça. Minas voltou ao topo.

Dos anos 2000 ao Catar

Em 2006, na Alemanha, dois mineiros estiveram na seleção de Carlos Alberto Parreira: Gilberto Silva (Lagoa da Prata), em sua segunda Copa, e Fred, o atacante nascido em Teófilo Otoni. Para quem é do Vale do Aço e do interior de Minas, ver um cara de Teófilo Otoni na Copa do Mundo sempre gerou identificação.

A partir de 2014, outro Fred entrou em cena. Não o atacante de Teófilo Otoni, mas o volante Frederico Rodrigues de Paula Santos, nascido em Belo Horizonte e revelado na base do Atlético. Esse Fred foi convocado para três Copas seguidas: 2014, 2018 e 2022, todas sob o comando de diferentes treinadores.

E então apareceu Danilo. Natural de Bicas, cidadezinha de 15 mil habitantes na Zona da Mata, ele começou nos campinhos de terra antes de ser revelado pelo América-MG. De lá foi pro Santos, Porto, Real Madrid, Manchester City e Juventus. Esteve nas Copas de 2018 e 2022 como titular. Juntos, Danilo e Fred (volante) formaram a dupla mineira mais presente em Copas recentes.

Técnicos mineiros em Copas do Mundo

Essa é uma seção que quase ninguém cobre quando fala de Minas e as Copas do Mundo. Mas a contribuição mineira não se limitou a jogadores. Três técnicos nascidos no estado comandaram a seleção brasileira em Mundiais.

Flávio Costa dirigiu o Brasil na Copa de 1950, a do Maracanazo. O time foi vice-campeão, perdendo aquela final histórica para o Uruguai. Telê Santana, de Itabirito, é o único técnico mineiro a dirigir a seleção em duas Copas consecutivas: 1982 e 1986. Mesmo sem conquistar o título em nenhuma delas, Telê deixou uma marca enorme no futebol brasileiro com aquele estilo ofensivo que até hoje é referência.

Por fim, Sebastião Lazzaroni comandou o Brasil na Copa de 1990, na Itália. O resultado foi frustrante, com eliminação nas oitavas de final.

Atlético e Cruzeiro: clubes mineiros na Copa do Mundo

Quando olhamos pelo ângulo dos clubes, o peso de Minas fica ainda mais evidente. O Atlético é o maior fornecedor de jogadores pra seleção em Copas fora do eixo Rio-São Paulo. São 13 jogadores convocados ao longo de 10 edições diferentes. Pra um clube de fora do eixo tradicional, isso é impressionante.

O Cruzeiro, por sua vez, contribuiu com 9 jogadores convocados, com presença desde 1966. Juntos, os dois grandes de Minas somam 22 jogadores em 19 edições da Copa do Mundo. É um patrimônio do futebol mineiro que merece ser reconhecido.

Entre os campeões mundiais que jogavam por clubes mineiros estão Tostão, Piazza e Fontana (1970, Cruzeiro), Dadá Maravilha (1970, Atlético), Ronaldo Fenômeno (1994, Cruzeiro) e Gilberto Silva e Edílson (2002, Atlético).

Copa do Mundo 2026: Minas terá representantes?

A Copa 2026 será a maior da história. São 48 seleções, 104 jogos distribuídos entre Estados Unidos, México e Canadá. O Brasil estreia no dia 13 de junho contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. E Minas Gerais já tem representante garantido.

Na última segunda-feira, 30 de março, Ancelotti confirmou em entrevista coletiva que Danilo, o defensor de 34 anos nascido em Bicas, estará na lista final de 26 convocados. A lista oficial sai no dia 18 de maio, mas o técnico não deixou dúvidas. Com isso, Danilo chega à sua terceira Copa do Mundo (2018, 2022 e 2026), consolidando-se como um dos mineiros mais presentes na história recente da seleção.

Resta saber se algum outro jogador nascido em Minas aparecerá na convocação final. O clima de expectativa é grande, especialmente entre torcedores do interior do estado que já montam seu bolão da Copa e arriscam palpites para o torneio. A tradição pede pelo menos mais um nome. Este artigo será atualizado assim que a lista oficial for divulgada.

Lista completa de jogadores mineiros em Copas do Mundo

A tabela abaixo reúne todos os jogadores nascidos em Minas Gerais que defenderam o Brasil em Copas do Mundo, com dados confirmados por fontes independentes. Para nomes cuja naturalidade aparece apenas em levantamentos da imprensa mineira, há indicação em nota ao final.

1934

  • Canalli – Meia – Juiz de Fora

1938

  • Zezé Procópio – Meio-campista – Varginha
  • Hércules – Atacante – Guaxupé
  • Perácio* – Atacante – Nova Lima*
  • Nariz* – Zagueiro – Uberaba*
  • Negrinho* – Atacante – Belo Horizonte*

1950

  • Bigode – Zagueiro – Belo Horizonte

1958

  • Pelé – Atacante – Três Corações

1962

  • Pelé – Atacante – Três Corações

1966

  • Pelé – Atacante – Três Corações

1970

  • Pelé – Atacante – Três Corações
  • Tostão – Meia-atacante – Belo Horizonte
  • Wilson Piazza – Zagueiro – Ribeirão das Neves

1978

  • Rodrigues Neto – Lateral – Central de Minas
  • Oscar – Zagueiro – Monte Sião
  • Toninho Cerezo – Volante – Belo Horizonte
  • Reinaldo – Atacante – Ponte Nova
  • Gil – Atacante – Belo Horizonte

1982

  • Oscar – Zagueiro – Monte Sião
  • Luizinho – Zagueiro – Nova Lima
  • Toninho Cerezo – Volante – Belo Horizonte
  • Paulo Isidoro – Volante – Matozinhos
  • Éder – Atacante – Vespasiano

1986

  • Oscar – Zagueiro – Monte Sião
  • Alemão – Volante – Lavras
  • Elzo – Volante – Interior de MG

1990

  • Alemão – Volante – Lavras

2002

  • Roque Júnior – Zagueiro – Santa Rita do Sapucaí
  • Gilberto Silva – Volante – Lagoa da Prata

2006

  • Gilberto Silva – Volante – Lagoa da Prata
  • Fred – Atacante – Teófilo Otoni

2014

  • Danilo – Lateral – Bicas
  • Fred – Volante – Belo Horizonte

2018

  • Danilo – Lateral – Bicas
  • Fred – Volante – Belo Horizonte

2022

  • Danilo – Zagueiro – Bicas
  • Fred – Volante – Belo Horizonte


* Naturalidade atribuída segundo levantamentos da imprensa mineira (Rádio Itatiaia, jan/2026), sem confirmação independente.

Nota: Edivaldo (Copa de 1986) nasceu em Volta Redonda (RJ), mas foi criado em Ipatinga (MG), onde iniciou no futebol pela USIPA e onde foi sepultado. Não foi incluído como nascido em MG por transparência, mas sua ligação com o Vale do Aço é inegável.

Essa lista será atualizada após a convocação oficial da Copa do Mundo 2026, prevista para 18 de maio.

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